
"E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininter-
ruptamente para o mar, por mais que façam para o deter.
Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água do rio onde tantas vezes mergulhamos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes paramos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhamos o céu e interrogamos o nosso sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.
E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
Miguel Sousa Tavares
5 criaturas bateram o pé e disseram: não é bem assim:
Como eu adoro esta ultima parte... é simplesmente fantastico... ó andre, tu é k andas com este blog pra frente! se dependesse do rui so vinhamos aki quando tivessemos pra morrer! LOL (kidding) bjinhus
Porque há textos que deveriam ser parte dos pensamentos d tds nos que partilhamos este breve instante que é a vida, e imagens que deveriam estar para sempre gravadas na nossa alma...
um abraço
Pastor
Devem é escrever o nome do autor e pôr o texto entre aspas. Assim parece plágio !Sei quem escreveu o texto. Por respeito a ele peço que transcrevam o seu nome.
Done.
Muito bonito!
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